Vamos queimar o “Judas”?

Uma tradição bem antiga é lembrada sempre nesse período da Semana Santa: queimar o “Judas”. Essa é uma alusão ao apóstolo traidor que por 30 moedas de prata entregou Jesus Cristo. A Liturgia Católica não prevê essa apologia, mas o folclore brasileiro, sobretudo no nordeste do país mantém viva essa manifestação popular.

 

A quem diga que fazer um boneco e batizá-lo com o nome do Iscariodes é apenas um pretexto pra cair na bebedeira, uma vez que durante quarenta dias, por respeito ao período quaresmal, muitos “fieis” não consumiram nenhuma bebida alcoólica, desde o Carnaval.

 

As memórias de infância registram ainda que, na madrugada da Sexta-Feira da Paixão para o Sábado de Aleluia, muitas galinhas eram furtadas dos quintais e “misteriosamente” apareceriam cozidas à cabidela para o tira-gosto dos bebuns, que alegres comemoravam a Ressurreição de Cristo, queimando o Judas.

 

Em uma dessas presepadas, Rita de Cássia, muda de nascença, levou um baita de um susto!

 

Sem ter o que fazer, ‘Chico’ e ‘Ciço’, dois primos, depois de arrumar as peças de roupa velhas e encher com palha, sacos e pano o Judas, decidiram assustar Rita.

 

Antes de saírem pra conseguir as galinhas, Ciço colocou o espantalho sentado numa cadeira de balaço, bem perto da rede de Rita.

 

Que maldade!

 

Bem cedo, a casa toda acordaria com os berros da muda…

 

Que foi, Rita? Pelo amor de Deus!!! – falou Dona Maria que só entendeu quando viu o Judas na cadeira de balanço.

 

O quiprocó foi o assunto daquele sábado. Chico, já com umas duas na cabeça, perguntava a todo momento: “Vamos queimar o ‘Judas’?“.

 

Sobrou pra Rita, cozinheira de mão cheia, cuidar das galinhas à cabidela.

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